Cravo-de-defunto, cravo-africano ou ainda tagetes-anão é uma herbácea anual, ereta, que atinge até 0,8m de altura em sua forma silvestre. Pode ser utilizada como repelente natural próximo a hortas e auxilia no combate a nematoides – vermes que atacam as raízes, causando a morte da planta. Possui propriedades medicinais e é muito utilizada na culinária de diversos países, notadamente do leste europeu, como se verá mais adiante. No México, seu habitat natural, está ligada à festa dos mortos.
As folhas são compostas, imparipenadas, de formato linear-lanceoladas, algumas vezes elípticas. São aromáticas por natureza, embora algumas variedades cultivadas tenham perdido essa característica. As ramificações são espalhadas e geralmente prostradas – o termo patula presente na sinonímia, T. patula deriva dessas duas características.
As flores são amarelas ou laranjas, às vezes com tonalidades amarronzadas, às vezes com detalhes mais avermelhados, dependendo da variedade. Surgem a partir de pendúnculos solitários ou agrupados de até 15cm.
O tagetes ganhou fama também como pesticida. Suas raízes liberam uma secreção que elimina as nematoides do solo e são, por isso, muito utilizadas em plantios associados com hortaliças e frutíferas. O aroma exalado por flores e folhas é capaz de afastar alguns insetos “daninhos”.
Os estudos etnobotânicos anotam os seguintes usos medicinais do tagetes: como vermífugo, digestivo, diurético, sedativo e contra males estomacais. Internamente, é utilizado contra a indigestão, cólica, constipação, desinteria, tosse e febre. Em algumas regiões, as mulheres utilizam o chá da planta para acelerar a menstruação, proteger contra o aborto espontâneo e dores no peito.
Na África oriental, a raiz do cravo-de-defunto é consumida associada com a noz de Telfairia pedata, uma trepadeira nativa, para aliviar as dores nos órgãos sexuais.
Há também registos de uso culinário e como tingimento de tecidos. As flores secas são a matéria prima para a obtenção de um pó semelhante ao nosso “colorau”, obtido, nesse caso, da trituração das sementes de urucum. Essa “farinha” é utilizada para dar cor amarelada à comida, especialmente carne e para realçar o amarelo do ovo. Com o mesmo fim, é acrescentada na alimentação de carangueijos e salmão criados em cativeiro.
O extrato das flores, por outro lado, é utilizado pela indústria alimentícia na Europa ocidental como corante de sucos, molhos de saladas, sorvetes etc.
As flores frescas também são utilizadas no tingimento de tecidos de lã, seda e até celulose para obter tons de amarelo-ouro, laranja e verde-oliva, até o bronze.
Além de todas essas qualidades, o tagetes é uma excelente escolha para compor bordaduras, forrações e jardineiras. Trata-se de uma flor ao mesmo tempo singela e exuberante, cuja manutenção é tão fácil quanto sua propagação por sementes. Abaixo algumas fotos tiradas por Dagmar Laus.

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